Siameses

Ontem disseram-me que o mundo é feito de siameses. Os siameses amam-se antes de nascer e é por isso que nascem abraçados. Mas quando nascem, contaram-me, já não se podem separar e então começam as discussões, as lutas e o ódio. No final fartam-se, um ganha e empurra o outro pela janela, mas nessa altura o vencedor não se apercebe que estão presos e que se um cai, o outro irá com ele.

Há muito tempo que não gostava tanto de um filme

Solteira, sem filhos

Hoje na aula de italiano estávamos a brincar aos jornalistas. Tinhamos de contar coisas sobre a nossa família. E então a rapariga que me estava a entrevistar pergunta.
- És casada?
- Não, solteira.
(dificuldades para fazer a seguinte pergunta. Um silencio desconfortável e ela finalmente consegue seguir)
- Então filhos…..
- Não, também não tenho filhos…
(umas caretas, uns olhares frustados e continúa)
- E irmãos tens?
- Sim, tenho um, mais velho, que está agora a viver nos Estados Unidos.
(eu ali dando-lhe pistas para ver a mulher desembananava. E então a cara dela se ilumina):
- E ele é casado? Tem filhos?

Esta, meus amigos, é a sociedade em que vivemos

Este foi o resultado...

Un país de vellos

Un país de vellos

Acabou. Foi um mês de noites agitadas, madrugadas trabalhosas, despertadores que tocavam demasiado cedo. Foi um mês de viagens, entrevistas, planos, recursos e textos. Foi um mês de pesquisa, de números, de músicas e de ideias. Semanas de montagem, de superar-se, de gostar. De não gostar. De dúvidas, perguntas e conselhos. Agora já está. Clicámos em finalizar projecto e apagámos o computador. Já tenho um DVD em casa que depois de 15 minutos vem escrito o meu nome. E eu gosto desses 15 minutos. Amo-os. Mas também os odeio muito. Penso em tudo o que podia ter sido melhor, anoto os erros, vejo falhas onde mais ninguém vê, corroo-me por dentro cada vez que clico em play. Amanhã será emitido com todos os seus defeitos, imperfeições, beleza, harmonia e superação. Amanhã é o grande dia. Daqui a um mês a história repete-se.

Um cheirinho a Portugal

Decidimos do nada. E do nada fomos. Convidaram-nos para ficar. Ficámos. A viagem foi longa. Havia demasiadas paradinhas planeadas. O jogo do eurobasquet, o arroz de feijão, a bienal de arte contemporânea. E quando chegamos já era de noite. Fomos recebidos com gomas e sushi (há melhor combinação no mundo?). De pequeno almoço, queijo, e de almoço passeios pelas ruas solarengas da cidade do berço. E depois um sangria e outra mais. Mas por que é que vocês bebem tanta sangria, diz o galego. E nós rimo-nos na cara dele. Toda a gente sabe que, na verdade, a sangria é uma invenção portuguesa. Também houve música e dança. O outro aprendeu a dizer Bueda Fixe e Que se lixe. Salada de grão, shots de pastel de nata, pão com toucinho. Ah, e mais sangria. Também queriamos conhecer o castelo, mas enganamo-nos de caminho. Acabámos num parque natural. Também serve. E sempre que volto, penso, deveria fazer isto mais vezes.

O meu casamento vai bem, obrigada!

O casamento

Há uns meses que estou casada. Uma experiência enriquecedora, eu diria.
Vivemos juntos. Dormimos juntos, acordamos juntos e até trabalhamos juntos. Penso nele todos os dias, durante todo o dia. Às vezes até tento desligar-me. Vou sair com os meus amigos... mas é inevitável. De repente, sem aperceber-me, lá estou eu, outra vez, a pensar nele. No duche, no café, na natação. Em sonhos, durante o jantar, na publicidade do programa.
Não somos sempre felizes, tenho de admitir. O stress, o dia-a-dia, a pressão de ser perfeitos. Mas vamos aguentando e, o mais importante, estamos a evoluir. Juntos.
Esta é a primeira vez que faço uma grande reportagem. Entre o pré-guião, guião, músicas, planos, cortes, recursos, gráficos e textos, estou totalmente absorvida pelo bicho.
Mas não faz mal, pus a aliança no dedo e assumi que durante este mês viveremos um para o outro. Em outubro peço o divorcio. Mas até lá, meus amigos, não tentem falar comigo de nenhum tema que não seja o "envelhecimento da população". Nunca achei que esses velhinhos tão simpáticos e carinhosos me iam dar tanto trabalho.

Eu durmo.
É uma daquelas qualidades que pai e mãe não babam aos amigos, nem vem nas aptidões do currículo. Mas devia.
Porque enquanto os outros vem "tele-basura", dão beijinhos na almofada, desperdiçam horas de actividade mental dando voltas e voltas aos mesmo assuntos. Eu durmo.
No avião, no carro, na praia. Na minha cama ou em cama alheia. Sem cama.
Fecho os olhos. Durmo.
Sou pouco rentável para os chás de tília, para os ginásios nocturnos e para as conversas de meia-noite.
Não sou delicada, agradável, rica ou sei lá se sou especialmente fértil. Quando alguém se aproximar e perguntar-me as minhas principais virtudes. Já decidi. Vou só dizer.
Eu. Durmo.

Nova Temporada

Volto das férias com uma sensação de nova temporada. De etapa terminada, etapa a começar. Vivo estes últimos dias com expectativa. De meses prometedores, trabalhos exigentes, recompensadores. Pára de pensar nisso, ainda estás de férias.
Eu sei, mas uma nova etapa está quase a começar.
Sou uma menina à espera do primeiro dia de aulas do quito ano.

O cavalo

Os 40 graus nos perseguiam e tambem as criancas que gritavam Hallo. Mas agora ja nao eramos 3. Tinhamos companhia.
O stranger.
E foi quando estavamos sentados num bar a espera que o sol se pusesse e chegasse a melhor parte do ramadao (a comida), que ele propos jogar um jogo. Nos, portugueses educados, nao pudemos negar. Imagina um deserto com um cubo, uma escada, um oasis e um cavalo.
Imaginado.
O cubo e o teu ego (grande e transparente). A escada como os outros podem chegar ate ti (acesivel, robusta). O oasis o teu lugar seguro, a tua tranquilidade (fresco, proximo e usado com frequencia).
E entao um deles *eu* comeca a gritar. Nao, nao, nao, nao quero continuar a jogar.
Por que?
O cavalo. Tenho medo. Nao quero saber.
Risota.
E ele diz com aquela voz grave que o caracteriza.
O cavalo, como devem imaginar, e a pessoa da vossa vida. A vossa alma gemea, I mean.
Alguem *eu* comeca a rir-se. A rir muito. Os outros contam que os seus respectivos estao ali, deitados ao pe da escada, a beber agua do oasis.
Digo que nao gosto desde jogo.
E entao confesso. Este cavalo *o meu* era um cavalo livre. Eu via-o ao fundo, bem ao fundo do meu deserto, a correr sem rumo e eu nao podia alcanca-lo.
Um silencio na mesa. Uns olhares desconfortaveis. Uma proposta para comprar um gato.
Mas, again, isto era so um jogo. Um jogo psicologico.

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