Gilipollas!

Ultimamente tenho me debatido muito com “o sotaque”.
- Por que dices que no tengo un buen acento español? – perguntei um dia ao Brutos (pseudonimo que o meu amigo inventou para si mesmo, para deixar de ser citado no Margem de Erro como “um amigo”).
- Por quez dizez que noz tzengo un buenz azentoz ezpañol? – repetiu o Brutos com ar de desprezo. Tenteu convence-lo de que falo bem, de que é o ouvido dele é que tem problemas, mas ele é o Brutos e nunca daria o braço a torcer.
Resolvi, então, mudar de alvo e tentar fazer a pergunta ao menino bonzinho da turma, de certeza que ele iria dizer que o meu acento é perfeito.
Ele propõe-nos uma palavra-teste (só para não nos dizer, assim de cara, que somos uma lástima).
- Quando conseguirem dizer bem a palavra “gilipollas”, estão pronta para falar bem espanhol.
- Gi-li-po-llas – gritava eu e a Carol no meio das ruas de Lisboa.
- Não - dizia ele - Gi-li-po-llas.
- Gi-li-po-llas – gritávamos cada vez mais alto. Seguiam-se caras de desilusão, gargalhadas e gestos de desistência. Horas depois de ouvir, repetidamente, a mesma palavra, o nosso amigo teve piedade para connosco (e para com o seu ouvido) e disse que estávamos muito melhor.
!Muy bien!
Hoje fomos, então, falar com o Brutos para fazer o teste final.
- Gi-li-po-llas! – Gritámos.
- Dizendo isso dessa maneira, nunca conseguirão o respeito de ninguém – sentenciou, sem que fosse preciso perguntar-lhe a opinião. Riu-se, passou-nos a mão pela cabeça, e foi-se embora.
E essa foi, de facto, a primeira vez que nos apeteceu gritar aquela palavra de verdade. Mas não o fizemos. Sabemos que há que treinar um pouco mais.
Dizem que o problema está no “o”. E no “lla”. Que o mais difícil é o “s”. Mas também já confessaram que o nosso “gi” não é muito bom.
Mas vamos conseguir. Nem que seja para podermos chamar “gilipollas” ao Brutos.

Domingo

Quando eu era criança, domingo era dia sagrado. As minhas amigas queriam sempre combinar brincadeiras para esse dia e eu respondia que não dava, mesmo antes de perguntar aos meus pais. Domingo era dia de família. Era de sair de casa de manhã e fazem 500 quilómetros para ir almoçar ao Alentejo. Era dia de ir jogar bowlling à tarde e ver um filme com um saco de gomas de 200 escudos e um copinho de coca-cola. Era o dia em que íamos com caretas à missa e quando saímos o meu pai perguntava-nos sobre o que é que tinha sido o sermão do padre. Era dia de teste de concentração.
Depois fomos crescendo e domingo transformou-se em manhãs de caminhadas no paredão e tardes de estudo que deixavam o pulso dorido. Domingo era dia de suspirar porque ainda faltava uma semana para que fosse sábado outra vez.
Ate que houve aquele ano em que sem família, nem estudo, domingo era dia de passeio de braço dado pelas ruas movimentadas, de horas à espera do click perfeito, de espectáculos de rua e um gelado de chocolate. Mas passou depressa. Depressa demais.
De regresso à realidade, o domingo voltou a ter gosto de maresia e batatas fritas. As tardes eram passeios pela baixa pombalina, inaugurações de museus e um ou outro café com scones e chocolate quente.
Agora sinto que não dei importância suficiente a todas as diferentes versões de domingos familiares que tive ao longo da vida. Porque em Espanha, domingo também é dia de família. Mas nos domingos espanhóis não se pode jogar bowlling, ir ao café, ao cabeleireiro, ou fazer compras. Porque domingo é dia de ficar em casa. Até para os comerciantes.
Institui, então, que domingo seria dia de limpar a casa, lavar a roupa, arrumar o quarto e pintar as unhas. Que domingo seria dia de enfrentar o ecrã do computador, mergulhar nos livros e blocos de nota. Que no domingo iria ler todos os jornais e ouvir os meus podcasts preferidos. Mas hoje dei-me conta de que isso não tem lá muita graça.
Porque domingo é dia de família. E por mais que eu me tente enganar, a minha não está por aqui.

Hoje um professor disse: "Os vossos trabalhos estão excelentes". E nós sorrimos.
Depois acrescentou: "São como os filmes americanos: imbatíveis". Alguns reforçaram o sorriso, outros franziram a testa.
Rematou, então: "Porque nos filmes americanos, tal como nos vossos trabalhos, se nota a paixão que eles têm pelo que fazem". E foi então que eu pensei: "Será que os trabalhos estão assim tão maus?". Mas devo ter sido só eu.

Quando as palavras saem do armário

Ultimamente tenho pensado muito sobre as opções sexuais das palavras.
E cheguei a uma conclusão: as palavras não deveriam poder ser gays.
Uma pessoa convive a vida toda com “a água”, imagina-a com um batom cor-de-rosa a comprar um vestido novo nos saldos. A água é delicada e fala baixinho, usa brincos de pérolas e sapatilhas de boneca.
E “a arte”? Durante toda a nossa vida imaginámo-la com o seu fato executivo cinzento-escuro, cabelo apanhado e uma pasta de documentos na mão. Vemo-la passear pelos museus de salto alto para que façam tic-tic nos corredores. Tem apertos de mão confiantes e unhas pintadas de vermelho.
Mas não é só com as mulheres. Vejamos o sal, por exemplo. Aparece todos os dias com o seu ar branco e granulado e faz-nos companhia nas refeições. Um velhinho de voz tremula e tosse acatarrada. De corcunda grande e passinhos de formiga.
E é então que um dia aparecem os espanhóis. Vêm ter contigo e dizem-te: “Minha menina, aqui no nosso país as palavras decidiram sair do armário”
A água virou menino traquina, a arte um empresário bem sucedido e o sal uma senhora com os dentes borrados de batom.

Como se não me bastasse o trauma do dia em que descobri que em alemão "as crianças" são assexuadas…

A "subasta" da "lonja"

Foi um dia que ficará marcado ma minha memória de estudante. O dia em que aprendi duas novas palavras numa mesma frase.
- ¿Queréis venir a la subasta de pescado en la lonja? – perguntou a professora.
- Sim! Claro que sim! – respondi entusiasmada.
Uma pessoa que sai do seu país, estabelece-se numa nova cidade, inscreve-se num mestrado e começa a construir uma vida do zero, não está em posição para negar as propostas educativas dos professores. Claro que quero ir à “lonja” ver a “subasta”. O que quer que isso signifique.
- É tipo aquilo que fazem para vender os quadros, mas com peixe – explicou-me uma amiga.
Um leilão de peixe na lota, portanto. A minha cara perdeu por alguns minutos a expressão de entusiasmo e voltei a centrar-me no que a professora estava a dizer.
- … então encontramo-nos às sete da manhã na lota …– é impressionante como a coisa foi ficando menos e menos interessante.
Dia seguinte. Seis da manhã. Toca o despertador. Cheguei à cozinha e lembrei-me dos conselhos de um amigo: “Nesse dia não bebas leite ao pequeno-almoço para não enjoar com o cheiro a peixe”. Optei por umas tostas com manteiga.
Chegando à lota (e depois de ter ficado com nódoas negras na perna por causa do temporal de granizo que estava a haver naquela manhã), descubro que da turma de 15 pessoas só houve seis alunos corajosos que haviam madrugado para essa “excitante” visita de estudo.
Na lota às seis da manhã é como se fosse três da tarde. Não há olhos de sono, nem caras amassadas. Há ventilação central, o que alivia o cheiro, e mais de uma centena de pessoas a negociar… peixe.
Nas paredes avisos que dizem “Não pisar ou cuspir nos peixes”. Mas na lota da Coruña ninguém obedece a esses avisos. Não há luvas nem cartão de crédito e a mesma mão que toca no dinheiro verifica a qualidade do peixe. Nos pés, aquelas galochas brancas que usam as senhoras da peixaria do supermercado. Com a diferença que as galochas da lota da Coruña estão um pouco mais a tender para o cinzento e são usadas para pisar “ao de leve” o peixe para ver se está fresco.
“É a lota mais higiénica da Galiza”, explica-nos um dos seguranças.
O leilão da lota funciona ao contrário. “10,90; 10,80; 10,70; 10,60; 10,50; 10,40; 10,30; 10,20, 10,10”, grita o leiloeiro vendendo o preço do quilo do peixe a uma velocidade humanamente impossível. Os leiloeiros são homens com muitro prestigio na lota, contam-nos, é preciso muita experieicia para leiloar bem. Cada leilão dura cerca de 2 minutos e acontecem dezenas de mesmo tempo. “Há especialistas em leilão de peixe que são contratados pelas grandes empresas só para comprar o melhor peixe ao menor preço”, conta o nosso “guia”.
E nós ali, sem galochas, sem dinheiro na mão e sem autorização para pisar ou cuspir na valiosa matéria-prima. Em uma hora estava tudo acabado. As peixeiras foram abrir os mercados, os grandes empresários foram “dormir a cesta” e nós voltámos ao estudo como se a “lonja” fosse apenas uma parte de um sonho demasiado real.
Um sonho onde as pessoas acordam as 3 da manhã e pisam no peixe que vamos comer à hora que eles voltarem para a cama.

Esse País chamado Galiza

Eu olhei à volta desconfiada, respirei fundo e voltei a olhar. Pensei para mim, “mas eles estão mesmo a discutir isto ou é só mais um dos meus problemas de espanhol?”
Perguntou a professora:
- Mas a que é que vocês acham que se está a referir a palavra “país” nesta frase?
- Pois, realmente tem um sentido dúbio – disse alguém lá no fundo da sala.
- Porque “o melhor filme deste país” tanto pode querer dizer que é o melhor filme da Galiza como da Espanha - esclareceu a professora.
Eu ri-me. E olhei à volta à espera de gargalhadas solidárias. Estranhamente, não houve mais nenhum sorriso sonoro. As pessoas tinham mais um ar pensativo, preocupado, aquele próprio de quem reflete sobre “os sentidos dúbios das palavras”.
Ahm?
E então a professora volta a clarificar a situação. “Porque por mais que nos refiramos no dia à dia à Galiza como país, aqui no jornal essas coisas não são muito bem aceites”.
Não resisti.
- Mas espere um pouco professora, ele aqui no texto quando diz “país” está mesmo a querer dizer Galiza?
A professora olha-me com um misto de ar de espanto e de coitadinha-da-estrageira-ainda-não-sabe-nada-da-vida.
Depois de depreender que a sua expressão de pena e assombro significava “sim”, acrescento indignada:
- Mas ele acha mesmo que a Galiza é um país? – E nesse momento posso jurar que franzi a testa, pondo a minha melhor cara de nojo, incompreensão e arrogância.
Risos, risos, risos, ouço até gargalhadas. Fico vermelha. A pergunta que deveria ter causado revolta naquela sala de aula de jovens cultos e instruídos saiu-me torta.
Mais risos e agora comentários para o colega do lado. Resolvo então tentar remediar:
- Não, não é isso. Eu percebo que ele possa achar que a Galiza é um país, mas daí a escreve-lo numa peça jornalística…. - Eu na verdade não percebo que ele ache isso. O meu conhecimento político e geográfico nega-se a assimilar essa informação. Mas parece que sou a única.
É então que a professora desiste de mim e conclui:
- Vêm como é uma expressão dúbia? Sempre podem haver pessoas mais confusas - e volto a jurar que o disse com um tom jocoso enquanto de me olhava de esguelha - que não entendam bem o significado da frase.

"Desse" país

Eu como cidadã apatriada já fui vítima de vários tipos de discriminação.
Lembro-me de quando cheguei a Itália e à frente do meu prédio houve uma manifestação contra os “extracomunitários” e nós, os brasileiros, resolvemos nesse dia não sair de casa.
Lembro-me de quando no Brasil me disseram: “Para uma portuguesa até que não és tão burra”. E quando um português numa discoteca me explicou: “És brasileira, não podes recusar sexo”.
Fui aprendendo a levar as coisas com algum sentido de humor (e uns insultos revoltados metidos no meu do discurso do és-um-atrasado-mental-xenófobo-não-mereces-viver). A verdade é que até agora a Espanha (ou a Galiza?) tinha se apresentado como um país de gente acolhedora, que sabe ver na diferença uma vantagem exótica.
Eu pensava assim. Até hoje.
Como dadora de sangue há quatro anos (e recentemente inscrita no banco de dadores de medula) foi com um sorriso gigante que abri o mail da Voz da Galicia informando sobre a carrinha que iria estar hoje nas nossas instalações para quem quisesse participar nesse grande acto de solidariedade (!!!) - dar sangue.
A minha amiga brasileira entrou antes no consultório da médica e saiu de lá com cara de caso. Parece que como tinha acabado de chegar do Brasil não podia dar sangue. Franzi a testa e entrei para o gabinete da médica.
- Você também vem do Brasil? – pergunta-me devido ao meu sotaque de espanhol estrangeiro inconfundível.
- Não, venho de Portugal. Mas fui ao Brasil no Natal.
- Ah, então não pode dar sangue.
Eu ri-me. Já estava habituada a esse mal entendido. Agora era aquela parte em que eu explicava que o Brasil não é só a Amazónia e que eu tinha estado em São Paulo, ou seja, na zona urbana do país. Ela olhava o livrinho das regras e dava-me razão. Eu já tinha passado por esse filme várias vezes.
- Mas isso não importa – diz-me a médica – não deixamos a nenhuma pessoa que tenha vindo desses países dar sangue.
- Esses países?
- Sim, os países pouco desenvolvidos como o Brasil ou, por exemplo, a Africa subsaariana.
- Então mas se eu vou ao Brasil todos os anos, significa que nunca vou poder dar sangue em Espanha?
Pergunta-me então a senhora, com um ar de desprezo assustado:
- Mas o que vai fazer todos os anos ao Brasil?
Explico-lhe que sou brasileira.
- Ah, então não pode dar sangue durante três anos, pelo menos.
- Mas eu vivo na Europa há 17 anos.
Isso não pareceu importar. Consta que “essas pessoas” que nasceram “nesses países” podem ter doenças (que se curariam com três anos na Europa, a contar a partir do dia em que fomos tentar dar sangue pela primeira vez).
E hoje no jornal veio a notícia de que os hospitais galegos estão com falta de sangue.
Pelo menos o que têm é puro. Com o selo de qualidade dos europeus desenvolvidos e sem doenças.

"Ventinho"

Tudo começou de manhã quando cheguei à paragem do autocarro. Diz-me um amigo:
- Hoje a minha mãe não vai dar aulas. As escolas foram fechadas por causa dum ciclone.
- Bah. É por isso que o ensino está como está….
- Cambada de preguiçosos esses professores. Coitadinhas das crianças… não podem apanhar frio – disse o meu amigo em tom de desprezo, já invadido pelo mau humor matinal de quem não tinha sido dispensado das aulas e ainda lhe esperavam cinco horas de “montagem audiovisual”.
Saindo do autocarro, ouve-se um comentário enquanto a Marina era empurrada pelo vento.
- Joder.
O dia pasou com tranquilidade (e muitas montagens audiovisuais). Uma ou outra página de jornal alertando para o ciclone, contando sobre as escolas fechadas e os ventos a 160 km/h.
Mas até àquele momento, não passava de alarmismo dos media.
Como boa aluna, que não se deixa influenciar por estas coisas, cheguei à aula de espanhol. Qual aula? Escola fechada. Motivo? Ordem da “concellería” devido ao ciclone.
Mas que ciclone, caramba?
Eu que nunca tinha visto dessas coisas perguntava-me se um ciclone era só aquele “ventinho” que me empurrou para o lado durante a manhã. Mas a resposta veio rápida.
Quando chegámos a casa (depois da ida em vão à escola de idiomas) começa a sentir-se um vento. “Um ventinho”. Um pouco forte, eu diria.
É então que falta pela primeira vez a luz, justo quando estava a dar o meu programa preferido da televisão espanhola. Depois pela segunda vez, enquanto fazíamos o jantar. E, de repente, o vento e a chuva tornam-se na banda sonora da casa. Ponho a música alta, mas o barulho do vento supera-a.
Começo a ficar preocupada com o meu carro, coittadinho, estacionado na rua. Vou a janela espreitar. Um homem a passear o cão (suicida). Vem uma rajada de vento derruba-o (eu disse que era suicida). Por enquanto o meu carro continua no sitio.
Falta a luz outra vez. Ponho a musica ainda mais alto. Agora as janelas tremem.
Como dizia o meu amigo. “Não te assustes. Estes ventos são só para perceberes melhor a história dos três porquinhos”.
Por agora agradeço aos céus a minha “doble ventana” e rezo para que a minha casa seja das de tijolo e que esteja protegida contra ventos de 160 km/h. Neste momento, acabaram de chegar também os trovões e os postes de electricidade começaram a tremer. Tento espreitar outra vez o carro. Mas a névoa já não deixa ver tão longe.
“Coitadinhas das crianças, não podem apanhar frio”, dissemos hoje enquanto esperamos o autocarro naquela amena manhã.

Actualizações: Afinal ontem os ventos chegaram aos 182 km/h, morreu um homem ao levar com uma árvore em cima e a ventania continua. Agora acompanhada do sol.

Pobres? Nós?

Mandaram-nos fazer um trabalho sobre “quem são os galegos”. O assunto virou conversa à hora do almoço e lembrei-me de perguntar:
- E quem são os portugueses?
Na minha cabeça desfilava una lista enorme de clichés que iam desde a mulher com bigode, até ao famoso bacalhau. Mas não tive tempo de pensar mais, porque um amigo adiantou-se com a resposta.
- São pobres.
O adjectivo gelou-me por um instante. Pobres. P-o-b-r-e-s! Pobres?
Queria dizer-lhe que os espanhóis são mal-educados, têm o nariz empinado e não sabem falar nenhuma língua estrangeira. Queria dizer-lhe que somos pobres, mas não fazemos narcotráfico, nem idolatramos uma família real.
Mas no fim das contas, apenas assenti.
Porque não há como justificar a pobreza, e tentar desculpa-la, faz de nós mendigos.
- Também se vestem mal – acrescentou uma amiga.
Foi então que eu gargalhei que cheguei ao meu ponto de ebulição. Disse com o maior dos cinismos, qual menina de cinco anos:
- Pelo menos não somos convencidos e mal-educados
Ao que me responderam:
- Mas isso são os espanhóis, não nos confundas com eles.

A batalha estava perdida.

Os vatios e os hercios

Vivo num lugar “bumerán”, onde reina a incerteza de quando a vida mudará de novo. Num país-cidade onde há praia e as pessoas tomam sol de costas para o mar. Onde há chuva, neve e “esqui”. Dizem que isso faz deste destino “sexi”. Ou isso, ou as gaitas de foles.
Vivo num país onde o Brad Pitt fala em espanhol, e para conversar com ele em inglês, só recorrendo ao “deuvedé”. Até porque por aqui não existem os EUA. Dizem que se chamam EE.UU., mas eu contínuo a duvidar de que falamos do mesmo destino.
Neste meu novo país quiseram instaurar o “cederrón”, mas não pegou. Ficaram o “pecé” e o “cedé” a fazer companhia à “oenegé”, coitada, que por solidariedade não poderia ficar sozinha. O “emepetrés” continua em lista de espera, quem sabe um dia se junte ao grupo.
Por enquanto, os homens continuam a usar “esmoquí”. E isso lhes dá um certo “glamur”. Se bem que sempre preferi vê-los de “jersei”. Mas isso é outra conversa.
E com toda esta história lembrei-me dos meus queridos amigos. Porque se por coincidência da vida se tivessem conhecido por estas terras celtas, o seu ponto de encontro chamar-se-ia 24hercio. Digam lá que isso não dava todo um novo charme à coisa? E para que conste, por cá o hercio é amigo do vatio.
- Queria uma lâmpada de 75 vatios, por favor.
Melhor que isso, só um “estriptís”. Mas não entremos por aí.

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