A fórmula

Fórmula mágica de sucesso (quiçá já um pouco gasta) para montar um curso de pós-grado direccionado a recém licenciados:

Regra de ouro: Fixar um número limite de vagas para que a direcção (e o dept. de RH) possa por em prática os seus critérios de selecção.

Critérios para formação do corpo de alunos:
80% de jovens suficientemente ingénuos para que possam ser moldados à lavagem cerebral da empresa e aos “encantos” da profissão (ainda que não o admitam)
10% de pessoas de idade mais avançada que aportem o factor maturidade ao grupo
10% de jovens revolucionários
50% de estudantes medianos (normais, diriam)
20% de estudantes abaixo da média para que no final se possa notar um “incrível progresso”
20% de jovens acima da média para “puxar o grupo para cima”
10% de jovens-revelação. O chamado “este sim é promissor”

Critérios de formação do corpo docente:
- O prof simpático e confidente que vá tomar cervejas com os alunos
- O prof preferido que diz o que queremos ouvir
- O prof messias
- O prof estrangeiro que faz subir a reputação do curso
- O prof polémico e as discussões que causa no refeitório
- O prof maluco, que tem como função “despertar as mentes adormecidas”
40% de profs competentes (ainda que esquecíveis em curto prazo)
Seminários ocasionais com profissionais da área
Aulas de lavagem cerebral

Recomendável: misture a fórmula com aulas práticas e entregas de trabalhos semanais (quem sabe diárias?)

Nota 1- Uma pessoa pode, no máximo, corresponder a duas características
Nota 2- Quem sabe Recursos Humanos seja um profissão interessante?
Nota de ouro: Tudo isto, se me permitem, com a devida margem de erro de quem passou a vida “de curso em curso”.

"Sucessos"

Existe por aqui uma secção do jornal chamada “sucessos”. Sempre que comentavam algo sobre a secção, eu pensava para mim que se tratava de uma interessante iniciativa de jornalismo positivo. Um dia cheguei até a folhear ao jornal à procura dos “sucessos”. Nada. Nesse dia não havia a dita rubrica, conclui.
Sucesso. Sucesso. Sucesso.
E diz a Marina durante uma apresentação de um trabalho frente a uma audiência de 60 pessoas:
“O que faz do nosso projecto um sucesso…”.
E pronunciei-o bem, pausadamente, com os “ésses” sessiados e os “cês” de língua no meio dos dentes. Com orgulho na minha palavra tão espanhola.
Olhando para trás, de facto, lembro-me de alguns sorrisos esboçados nesse preciso momento. “De inveja pelo meu maravilhoso castelhano”, acreditei.
Palmas.
Belo discurso!
E diz-me um amigo:
- Parabéns, correu muito bem a apresentação
- Obrigado – digo com falsa modéstia.
-Mas só uma coisa…
(ai vem)
- Não voltes a dizer que o nosso projecto vai ser um sucesso.
(ai os sorrisos, lembro-me daqueles dos sorrisos…)
- É que aqui sucesso é a secção do jornal que fala de crimes e violações. E não queremos que o nosso projecto acabe assim! Em Portugal não se diz “êxito”?
E essa é a história de como, com uma palavra, se foi pelo cano abaixo o “êxito” da minha apresentação, a aposta no jornalismo positivo e a vontade de dedicar a minha carreira jornalística aos “grandes sucessos”

Poligamia

Ser de um país é pior do que o casamento. É definitivo.
E por mais que negues, mudes, jures a pés juntos que nunca mais queres ver, pensar ou ouvir falar do dito país, ele persegue-te. Porque cada visita ao estrangeiro é como um flirt numa discoteca às 5 da manhã.
Não deveria achar esta praça mais bonita do que a minha, esta gente mais simpática, esta comida melhor do que a outra. Mas já que me estão a oferecer esta tortilha saída da frigideira… Vou só provar… Só para ver o gosto. “Delicioso”, pensamos de boca cheia. Mas não o dizemos. São cinco da manhã e a nossa cidade ainda dorme, nunca irá descobrir.
De flirt em flirt acabamos por mudar definitivamente de domicílio. Sinto-o como um casamento não reconhecido que nasceu de uma traição fortuita. Fazemo-lo meio as escondidas, em sapatinhos de lã. Vamos saindo aos poucos, para que ninguém note. Arranjamos uma lista de razões e desculpas para dar aos amigos. Saímos sempre sem dizer adeus. E, às vezes, sentimos que o deveríamos ter feito.
Morar em diversos países é poligamia e eu reconheço que tenho luxúria no meu coração. Quanta dor olhar para as fotos dos meus exs... Aqui, Lisboa, aqui, Torino e, aqui São Paulo, aqui…
E me perguntam, em conversas muito íntimas e secretas, qual o meu preferido e digo que não sei, não sei, todos!, juntos!, de uma só vez! - que vergonha!
Visitar Paris ou Viena é como ver um pote de leite condensado durante a dieta. Tão lindo e doloroso. Por que minha cidade não pode ser assim? Por que eu não posso eu ser assim? Por que é tão inatingível? Oh, como os quero bem! Paris, Viena, Amesterdão, Praga…
E, de repente, já não sei de que cidade é essa de que falo. Já não sei qual é este país de onde sou. Mas seja qual for, irá sempre perseguir-me fazendo com que em Espanha goste de pão de queijo, em Portugal de Tortilha, no Brasil de focaccia e em Itália de bacalhau com natas.
Pronto, assumo:
Sou poligâmica.

O Samhain

“A Coruña não se vende a essas festas capitalistas” explicava-me um amigo, a propósito do Halloween. “Nos aqui não celebramos o Halloween americano, mas, o Samhain, uma festa de tradição celta”.
“A sério? E o que fazem de especial nessa festa?”, pergunto fascinada, imaginando gaitas de foles e danças tradicionais.
“Vestimo-nos de mortos e bruxas e saímos à rua”
“Isso parece-me o Halloween”, comento decepcionada.
“Mas o halloween é inspirado nesta tradição celta”, explica
“Então é igual ao Halloween, mas com outro nome?”
“Não, é o Samhain”, diz convicto.
Adoptei o nome e não fiz mais perguntas. Afinal, o que me passou pela cabeça quando imaginei que os Coruñeses iriam vender-se a esta “festa americana e capitalista”?
Ingénua.
Por agora, já tenho a casa empestada de aranhas, pinturas faciais, roupas rasgadas e chapéus de bruxa. Tenho na ponta da língua o “tuco o trato” e o grito de terror.
Que venha o Halloween, ops, o Samhain!
E eu serei o diabo por uma noite (e, quem sabe, aprenderei a tocar a gaita de foles!)

A Primark

A propósito da abertura de um novo shopping na Coruña (na verdade o único shopping propriamente dito do ponto de vista português da coisa) e da sua respectiva loja-estrela, a Primark (paraíso dos tops a 3 euros!):

Marina – Também foste ao shopping no Sábado? Que tal a Primark?
Amiga Espanhola – Eu até gostei do espaço, mas não gostei muito dos quadros.
M – Dos quadros?
(estes espanhóis são mesmo estranhos….)
AE – Sim, não gostei muito…
M – Não reparei nos quadros…
(conversa a tornar-se surreal…)
AE – Não eram lá muito bons.
(assustador)
M – É que eu fui lá para comprar roupa!
(sorriso de “esta tipa é creepy!”)
AE – Pois, mas de que vale haver uma loja tipo Primark na coruña se os quadros não valem nada?
(ou algo de errado se passa com esta tipa, ou…)
M – Um momento. O que são “quadros”?

Como já tem vindo a ser comum na minha vivência por terras galegas, esta conversa foi mais uma daquelas que teve dois (assustadores) pontos de vista.

Marina – Também foste ao shopping? Que tal a Primark?
Amiga Espanhola – Eu até gostei do espaço, mas não gostei muito dos tecidos.
M – Dos tecidos?
AE – Sim, não gostei muito…
(detesto conversar com estrangeiros, tenho sempre de repetir as coisas duas vezes)
M – Não reparei nos tecidos…
(Como assim vai a uma loja de roupa e não repara nos tecidos?)
AE – Não eram lá muito bons.
M – É que eu fui lá para comprar roupa!
(Não me digas? Que tipa tão fútil!)
AE – Pois, mas de que vale haver uma loja tipo Primark na coruña se os tecidos não valem nada?
(Começo a perder a paciência para estes estrangeiros consumistas)
M – Um momento. O que são “tecidos”?

Parece que em espanhol “tela” significa tecido e não “quadro” como a Marina precipitadamente concluiu.
Não será preciso reforçar que a “amiga espanhola” nunca mais me olhou com os mesmos olhos e, sempre que passo por ela ouço a boca “que tal os quadros da Primark?”
Ossos do ofício.

O decisivo compasso de espera

Concluo, após algumas incursões em “países estrangeiros”, que o mais difícil para se ser “nativo” não é falar a língua, nem saber de cor a história. Conhecer a bandeira, o hino e o completo corpo presidencial.
Imigrar é, acima de tudo, adaptar-se a uma nova cultura. Se os portugueses vêm como falta de respeito rasgar um folha de papel sem pedir licença, para os brasileiros é uma ofensa ver alguém a pousar a bolsa no chão. Se para os italianos os beijinhos são ao contrário, para os alemães não há beijinhos nunca.
Dos espanhóis conhecemos a siesta, as refeições a horas tardias e as frases intercaladas com asneiras. Mas há um pequeno detalhe que ainda não me consegui habituar.
Em Portugal existe aquela conversa de circunstância que chega até a desesperar:
Olá, tas bom?
Sim, e tu?
Também.
Há diversas teorias sobre a pertinência da pergunta e da resposta e outra tantas dissertações sobre as pessoas que não cumprem o protocolo.
Pois os espanhóis enquadram-se no segundo grupo.
!Hola Marina! ?Que tal?
Muy bien ?y tu?
E ai gera-se a confusão na cabeça dos nuestros hermanos. Não porque por aqui não exista o hábito do “e tu?”, mas porque existe um pequeno, ínfimo e decisivo compasso de espera entre o Muy Bien (mais alguma informação adicional) e a pergunta que se lhe segue.
Falta-lhes a mecânica do discurso, a robotização apática da pergunta que não quer saber a resposta. E, ao chegar aqui, de protocolo traduzido, espalhamos a confusão e pintamos, outra vez, na nossa testa o famoso carimbo de “estrangeiro”
E como para qualquer problema espanhol, a solução volta a ser a mesma: espera, pausa, relaxa.
Bem, isto, como já é de costume, com a devida margem de erro.

O amigo do autocarro.

Tenho, desde há muito tempo, um amigo no autocarro do trabalho.
Na verdade, a nossa amizade começou de uma forma um tanto invulgar.
Eu chegava ao autocarro, mp3 ligado e livro na mão, e lá estava ele, a conversar no seu tom de voz de decibéis elevados.
Era como um ritual. Desligava a música e guardava o livro. Punha-me a ouvir atentamente (como numa lição de incursão pela língua espanhola) as suas palavras. De início era apenas uma questão gramatical. Escutava-o com ouvidos analistas, aproveitava-me dele como ferramenta de aprendizagem gratuita.
Mas a rotina dos dias foi apagando as regras de gramática e, aos poucos, já ansiava para que o autocarro chegasse e dava comigo a pensar: “será que vai lá estar o senhor falador?”. Ele estava todos os dias.
Começou assim a nossa amizade. Entretinha-me a ouvi-lo (enquanto conversava com outros autocarreantes) e a treinar, mentalmente, as respostas que lhe daria se, de facto, participasse na conversa.
E já éramos tão íntimos... Ele achava que a “surpresa de Outubro” seria que o McCann iria “despedir” a Sarah Palin, eu achava que a surpresa tinha sido antecipada pelo episódio “sarah / marido de sarah / ex cunhado dos palin”. Ele achava que para que o Obama perdesse era necessária uma guerra. Eu achava que bastava que acontecesse outro episódio Tom Bradley. Ele tem um amigo que subornou o médico para lhe dar um atestado de depressão. Com isso, conseguiu uma “baixa vitalícia”. Achava o seu amigo genial, eu reprovava a atitude.
E assim seguia a nossa amizade. Diariamente. Ele falava e eu pensava.
Até que chegou o grande dia. Entro no autocarro. Vazio. Só o meu amigo sentado num canto. Sentei-me no lado oposto.
Pergunta-me, então: Trabalhas na fundação?
(sim, estava a dirigir-se a mim!)
Falamos um pouco e vem o comentário.
- Mas não és espanhola
- Ah, me encanta Portugal
A partir desse dia, a nossa amizade tomou uma nova dimensão. Já que agora, ao invés de pensar, intervinha, realmente, nas conversas.
E há um dia em que diz:
- Acho que o ensino nas escolas públicas e privadas é basicamente o mesmo, eu pus as minhas filhas na privada porque me parece que os contactos que vão fazer para a vida futuras são muito melhores do que na pública.
E eu comento:
- Essa visão parece-me um pouco elitista, não achas?
(de notar como os meus ideias de direita tem vindo a esbater-se com o passar dos anos)
E foi assim que, finalmente, tive a minha primeira conversa culta em espanhol: “a influencia do meio envolvente da formação de uma criança”. E eu que nunca pensei que saberia dizer isto “em língua estrangeira”.
E no final da conversa ele disse: “não precisas de aulas de espanhol, falas perfeitamente”.
Eu ri-me e pensei: A opinião dos amigos não conta!

Espanha não, Galiza

Tenho ouvido, ultimamente, vezes sem conta, a mesma incorrecção. Prende-se com a seguinte pergunta: “Como está a vida em Espanha?”
Pois vou, de uma vez por todas, corrigir o erro crasso:
Eu não vivo em Espanha.
Vivo na Galiza.
A Galiza tem uma bandeira, um presidente e um jeito de ser. Tem uma língua só sua (que, prometo, estou a tentar afeiçoar-me, apesar de ainda me parecer um português cerrado tipo gente rude do campo) e os seus próprios erros gramaticais.
Os galegos só lêem os jornais da região onde se encontram manchetes como: “O desemprego em Espanha ronda nos 14%, na Galiza está perto dos 8”. Na Galiza há movimentos migratórios, terras marginalizadas, palavras próprias de cada região. Há indústria galega, comida galega e banco galego. Consta que a Caixa Galicia, o banco-monopólio da cidade, é o que tem mais depósitos de Espanha, mas isso é um aparte.
Por terras galegas vê-se a TV Galicia, ouve-se rádio regional e fala-se castelhano com vocabulário próprio.
Neste país onde vivo agora há um sentimento nacionalista muito grande.
Por aqui bebemos Estrella Galicia e ouvimos música celta. Bem, também ouvimos música inglesa, cantada por grupos galegos, claro.
E perguntam-me, então: “E a Espanha?”
Para dizer a verdade, não sei bem onde fica, mas deve ser uma localidade bem longe daqui, lá para os lados de Madrid, suponho.

Imersão-integração

É interessante este mecanismo de aprender uma língua através da técnica de “imersão”. Todos sabem que quando saímos de um escola de idiomas, somos lançados ao mundo a falar como freiras. O nosso trabalho de casa eterno é o de trabalhar na nossa integração. Estamos a conversar com alguém e dizemos “responder”, a pessoa segue a conversa usando o termo “contestar”. Pois que seja “contestar”, então. Risca o “responder” da lista e segue em frente.
Pois se a nós “nos gusta” alguma coisa e à pessoa com quem estamos a falar “mola”, então a nós “mola” também, está decidido.
Chamemos-lhe “técnica de integração-imersão”
E sigo eu, diariamente, batalhando nesta guerra linguística que, como o nome indica, está cheia de vitoriosos e vencidos.
E hoje, admito, fui derrotada.
Estávamos todos a almoçar. Conversa vai, vem, e chega ao ponto em que resolvo intervir. Contavam uma história espantosa (não, não repeti o mesmo erro!).
E lá fui eu comentar:
- É caso para aplicar aquela expressão que vocês usam por aqui. Como é mesmo?
(pausa para que a atenção toda se vire para ouvir o meu momento de glória)
- Ah é “bua, neno!”
(silêncio, entreolhares)
- Sabem? Aquela expressão de espanto….
E é então que alguém grita:
- Bua neno!!!
Gargalhada geral. Marina muito aflita, roxa de vergonha, olha em volta, implorando por uma explicação.
Gargalhada continua. Até que uma alma caridosa diz:
- Mas com quem te andas a dar?
Passo a explicar: Estava outro dia na praia e por trás de mim encontrava-se um grupo de rapazes que sempre que queria enfatizar, ou comentar algo com espanto dizia “bua neno”. Foi então que de sorriso matreiro anotei no meu caderninho mental como “expressão a usar” em vista à famosa integração. Seria um sucesso.
Parece que os rapazes que estavam atrás de mim na praia eram “adolescentes chungas” e que “buá neno” é algo como o nosso “aína man”.
É como eu digo. Isto da “imersão-integração” tem o que se lhe diga. Há que saber com quem "emergir" e o momento certo para o fazer. Porque, caso contrário, triunfa o pensamento que hoje vai comigo para a cama: “Afinal qual é o mal de falar como as freiras?”

As "línguas latinas"

Outro dia falava com um espanhol. O rapaz estava muito entusiasmado com o meu apelido internacional e comentou:
- Ah, entonces “parlas” itialiano
Respondo-lhe que sim, numa risadinha forçada de quem já ouviu a boca centenas de vezes.
Diz-me então: “Nós aqui em Espanha também falamos todos mais ou menos italiano, é que sabes, para nós as línguas latinas são bastantes intuitivas e nem precisamos estuda-las”.
Sortudo, o rapaz. Sortudo por me ter apanhado apenas com dois dias de Espanha e na altura ainda não ser muito capaz de me expressar. Mas os meus três anos de aulas de italiano não lhe iriam sair baratos.
Propus-lhe então:
- Mas então se o italiano é intuitivo, porque não conversamos em italiano? (asseguro que a frase não foi assim tão bem construída, mas ele lá me compreendeu. Intuição, diria.)
Rio-se um pouco e começou:
- Bem a gramática é igual à espanhola (erro). E o vocabulário bastante parecido, por exemplo, imagino que “mantequilla” em italiano seja igual, não?
- Não, é “burro”.
- Ah, mas por exemplo, “pallitos”, deve ser “paliti” ou algo similar.
- Na verdade é “stuzzicadenti”.
- Ai, que engraçado. Mas nos verbos, por exemplo, o único que muda é o querer que em italiano é “io vó-gli-u”
- Na verdade pronuncia-se “vôlhô”.
- Parece que eu hoje não estou com muita sorte, mas é o que te digo, nós os espanhóis temos naturalmente jeito para línguas.

Claro que sim. Agora imaginem nas línguas “não latinas”. Muito promissor.

Nota: Às vezes ponho-me a pensar. Porque raio será que o tipo se lembrou de dizer as palavras "manteiga" e "palito"?

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